Conheci a Paula Quintão em meados de 2014. Era uma época de muitos questionamentos e muitas angústias, não posso negar. Naquele tempo eu apenas tinha ouvido falar sobre o seu livro Para sempre um novo EU”, mas não foi isso que me traiu até a Paula.

Era um momento crucial para definir como o meu negócio poderia se adequar ao estilo de vida que eu sempre tive. Nômade por herança familiar, já havia morado em mais de vinte cidades e estava prestes a voltar para o Brasil para ”cuidar da empresa”. Só que algo dentro de mim apontava que aquele não seria o melhor caminho, que não fazia sentido ter uma empresa com sede e endereço fixo, já que eu teria que me livrar de tudo isso na próxima viagem ou mudança.

A Paula morava em Manaus, cidade para qual eu voltaria, mas estava realizando algo diferente. Ela empreendia através da internet. Havia deixado a sua carreira no mundo corporativo para empreender o próprio negócio e, não só a coragem, mas a atitude que ela teve me chamou a atenção. Eu pensava, ”se ela em Manaus conseguiu fazer isso, eu também consigo”.

Nos encontramos pessoalmente pela primeira vez naquele mesmo ano, no mês de Julho. Eu havia comprado um curso pela sua indicação e como bônus ganhei 1 hora de consultoria gratuita. Ah, como eu queria aquela consultoria! Tinha tantas perguntas a fazer.

Logo nos primeiros instantes trocamos as primeiras – e clássicas – perguntas: ”Como você está? Está gostando de morar aqui? Como foi morar em Portugal?”. E, para minha surpresa, quando eu respondi sobre minha experiência em Portugal ela me olhou nos olhos e continuou ”E como você está se sentindo?”. Então, parou e ouviu atentamente. Isso não é comum. A Paula não é uma pessoa comum, e foi naquele momento que puder perceber isso.

Naquela reunião de consultoria conheci uma grande amiga. Naquele dia ela me mostrou quais eram os 7 passos para realizar um congresso online e esse foi o meu primeiro feito no mundo digital. De fato, foi o marco da transição do modelo de negócio offline da minha empresa, para um modelo adequado ao estilo de vida que eu sempre havia sonhado, mas que até então não sabia como criar.

Nos encontramos novamente em Manaus na minha aula de MBA, quando ela foi partilhar suas vivências com meus alunos; depois novamente em Portugal, quando ela estava em uma viagem de 6 meses com a filha; então outra vez em Florianópolis, quando criamos juntas o Programa Trilhas; e, recentemente, quando ela esteve palestrando no Empreenda 2016. Poucas e intensas vezes, porque uma amizade sincera nem precisa de muito para crescer no coração da gente.

Foi só nesse último encontro que tive a alegria de receber como presente o ”Para Sempre Um Novo EU”, seu primeiro livro que trouxe para mim uma nova perspectiva sobre aquela que havia se tornado uma amiga tão querida. Mais do que isso, uma nova perspectiva sobre a própria vida.

O livro ”Para Sempre Um Novo EU”

Ingenuamente, acreditei que o livro se tratava de um relato sobre uma viagem ao Monte Roraima. Mas logo nas primeiras linhas percebi que encontraria ali algo mais profundo, algo fora do comum. Afinal, a Paula não é comum, a Paula vive, fala, ouve e escreve com toda sua alma.

”Uma profunda transformação transformação interior” é o que diz na capa. Transformação é tudo que venho vivendo nos últimos anos, desde que decidi empreender meu próprio negócio, pedir a exoneração do serviço público, ter meu filho, mudar de cidade e de país. Empreender por si só já é uma grande jornada de autoconhecimento e transformação. Só que a forma como a Paula trouxe isso em seu livro vai além das simples conexões que fazemos com o que está acontecendo no nosso presente.

Parte 1 – O que me leva a um monte

A beleza da vida está na nossa superação, na capacidade que temos de lidar com os desafios e com as nossas sombras, e fazer disso oportunidades de crescimento pessoal. Logo no início, a Paula abre a porta para sua alma nos mostrando que mesmo as situações mais difíceis têm dentro de si um tesouro.

Paula foi mãe aos 15 anos, fez um Mestrado quando ninguém acreditava ser possível, mudou com a filha para Manaus para viver um casamento que logo chegou ao fim, decidiu juntar toda sua vida na bagagem e subir o monte na esperança de encontrar ali algumas respostas, de poder chorar as suas dores, de poder estar consigo mesma.

Honrar a nossa história e se apropriar daquilo que somos, amar e aceitar o que vivemos, é um passo fundamental para libertação. Juntar tudo isso na nossa bagagem e escolher uma montanha para escalar é uma metáfora para o ato de ter coragem de olhar com amor e gratidão a cada instante vivido.

Parte 2 – O que se leva para o monte – De mochila cheia

No monte de cada um, quais são as memórias e vivências que vamos carregar? Qual o peso de cada uma delas? Quais os tesouros que estão escondidos?

Chegar ao topo não é rápido, demanda paciência e, acima de tudo, exige que sejamos gentis consigo mesmos. O nosso corpo será exigido tanto quanto a mente. E só estando plenamente atentos a tudo que acontece a nossa volta poderemos ter a honra de receber os presentes que o universo nos reserva, porque, sim, eles estão nos pequenos detalhes.

Paula aprendeu com os indígenas, aprendeu com cada novo passo que dava, aprendeu com as partilhas de cada companheiro de viagem.

Parte 3 – O que se leva do monte

E depois de um mergulho e de uma apropriação tão grande sobre nós mesmos, é impossível continuar sendo os mesmos. Na descida do monte Paula recebe com gratidão tudo que aprendeu nos 8 dias de caminhada, assim como em nossa jornada de transformação passamos por momentos de grande esforço para ao final abraçar nossas mudanças.

”Descer a montanha é começar a viagem”, escreveu ela. E essa frase não poderia estar mais certa.

Ter um filho, mudar de carreira ou de emprego, sair ou começar um relacionamento…. seja qual for a sua história (ou parte dela), é na descida da montanha que começamos a verdadeira viagem. É após viver em completude e intensidade cada momento único, bom ou ruim, de nossas vidas, que podemos começar novas viagens por novos caminhos.

Eu sai transformada, mais uma vez, após ler esse livro. Aprendi com a Paula que podemos muito mais do que sabemos hoje. Aprendi que, por mais difíceis que sejam nossas decisões e escolhas, todas, absolutamente todas, têm dentro de si um presente e um aprendizado. 

Muito grata Paula, por simplesmente ser quem você é. E grata por ter cruzado meu caminho, minha amiga.

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