Proponho uma reflexão: o que é sucesso?

Parece que o mundo anda obcecado pelas pessoas bem-sucedidas. Basta abrir o navegador da internet, em um site de notícias, para sermos impactadas por “exemplos” de sucesso. Eles são acompanhados de processos, hábitos, filosofias, comportamentos, histórias e influências que apontam o caminho para a realização pessoal ou profissional.

O sucesso é apresentado sempre como algo tangível, desde que sigamos a receita de bolo que existe por trás dele. Ignoramos que somos pessoas diferentes. Cada uma de nós temos os próprios desejos, crenças e valores. Portanto, por que sentimos a necessidade de enquadrar o conceito de sucesso em uma moldura rígida e nada flexível?

Eu posso ser bem-sucedida com o que eu tenho. E você?

Continue a leitura e vamos juntas entender como cada pessoa pode enxergar o próprio sucesso.

O que é sucesso?

O dicionário define a palavra sucesso como “bom resultado, êxito ou triunfo”. Em sua definição, entendemos que se trata do resultado alcançado de uma tentativa. O problema é que a cultura popular associou esse conceito a ter dinheiro, fama e poder. A maioria das pessoas enxerga o sucesso de alguém a partir de suas posses e conquistas.

Quando perguntamos às pessoas sobre como elas se sentem em relação ao sucesso, geralmente elas dizem que querem mais, merecem e estão trabalhando para alcançá-lo. Elas dizem isso porque o sucesso, em nossa sociedade, é visto como algo bom. Por isso, é associado aos bens materiais, felicidade e realização. Certamente, o sucesso pode incluir tudo isso e muito mais.

Se o sucesso pode ser composto por muitas variáveis, como seres humanos e adultas que somos, temos o direito de escolher quais delas farão parte da nossa definição de ser bem-sucedida. Obter o sucesso, portanto, começa quando dedicamos um tempo para decidir exatamente o que essa palavra significa para nós.

Uma executiva de alto cargo que trabalha para uma multinacional e recebe por isso uma enorme quantia de dinheiro pode ser bem-sucedida. Da mesma forma, outra mulher que trabalha em casa e cuida dos filhos também pode ser bem-sucedida. Observe que, apesar de viverem realidades distintas, cada uma pode obter sucesso da sua maneira — com os meios e recursos que têm.

O nosso primeiro exemplo, a executiva que ocupa um alto cargo em uma multinacional, pode ter estabelecido esse posto de trabalho como o grande objetivo da vida dela. Por isso, ela se esforçou muito, estudou nas melhores escolas, aprendeu todos os idiomas que eram necessários e desenvolveu as competências associadas ao seu sonho.

Já o nosso segundo exemplo apresentou uma mulher que realiza um trabalho doméstico, cuidando dos filhos e da rotina do lar. Um dia, essa mulher também precisou trabalhar fora, mas não se sentia realizada. Ela desejava ter filhos e se dedicar ao lar. Essa realidade, portanto, também pode ter sido o grande sonho da vida dela.

Note que, em momento algum, o conceito de sucesso nas vidas dessas mulheres foi associado com o que os outros esperavam delas. Ora, cada um tem a própria vida. O que é bom para mim, pode ser algo péssimo para você. Isso mexe com nossos valores, o modo como a gente enxerga a vida.

É muito comum que, ao longo das nossas vidas, sejamos pressionadas pelos valores dos outros. Os pais que são formados pelas ditas “carreiras tradicionais”, como Medicina, Engenharia e Direito, geralmente esperam de seus filhos que eles os sigam invistam na mesma formação.

A expectativa que os demais têm sobre nós é saudável. Ela demonstra o quanto essas pessoas nos querem bem, porém, existe um limite que precisa ser estabelecido. As pessoas podem nos desejar um salário alto, cargos de liderança, viagens internacionais, uma casa maravilhosa com piscina e o carro do ano. Esse é o seu desejo?

Observe como é interessante ver como as regras sociais influenciam a nossa percepção de vida. Desde pequenas, aprendemos o que é certo ou errado de acordo com a visão dos nossos pais e demais familiares. Quando crescemos, somos influenciadas pelos conceitos da escola e faculdade. Depois do período estudantil, acreditamos estar prontas para a vida.

Acreditamos — é aí que a sociedade se revela. Somos tão condicionadas a aceitar as regras sociais que, às vezes, torna-se muito difícil diferenciar o que gostamos daquilo que aprendemos a gostar. As regras da sociedade, em muitos casos, são duríssimas com as pessoas — e nós pouco percebemos isto.

Diz uma das regras sociais que o indivíduo bem-sucedido precisa estudar, trabalhar, casar e ter filhos. Por quê? Qual foi o motivo para a sociedade condicionar, de modo reducionista, uma pseudo fórmula para o sucesso? Partindo desse ponto, quem não cumpre com alguma das condições “estabelecidas” acabou por fracassar?

A pessoa que fez uma escolha na vida dela diferente do que a sociedade condicionou fica à mercê do tribunal social. Isso nos mostra um ciclo cruel onde a nossa vida parece não nos pertencer. É como se estivéssemos em um grande campeonato onde os indivíduos que não cumprem as regras são julgados. Devemos continuar seguindo assim? Não!

Nós somos seres livres, que têm o direito de escolher aquilo que atende as nossas necessidades. Por isso, convido você a refletir mais sobre o que é sucesso. Deixaremos a sociedade de lado e abordaremos as questões relacionadas com o seu bem-estar. Partiremos, então, para uma definição de sucesso que não deixará essa palavra amarrada a um conceito ou uma imposição.

Você se sente bem-sucedida?

Reflita sobre a pergunta que foi feita no título deste tópico. É muito comum que as pessoas enxerguem a nossa vida com um olhar diferente do nosso, pois, teoricamente, deveríamos nos conhecer melhor do que os outros. Agora você deve estar se perguntando: por que teoricamente? Porque na prática não é o que sempre acontece.

Os seus pais, familiares e amigos podem descrever a sua carreira como “de sucesso”. Você sente o mesmo? Por mais conquistas que você tenha alcançado no trabalho ou na vida acadêmica, pode afirmar que é uma pessoa feliz fazendo o que faz? Se a sua resposta foi “não”, é provável que, diante da opinião dos outros, você se sente como uma fraude.

O posto de trabalho mais desejado por todos é seu. Dentro da companhia, a sua decisão é capaz de influenciar a vida de todos. Isso faz com que a sua rotina seja bastante atribulada, repleta de reuniões e compromissos que demandam agilidade e gestão de tempo para dar conta de tudo. Mesmo assim, existe um vazio que lhe deixa incomodada?

Esse vazio pode ser traduzido de diversas maneiras:

  • desejo de ser mãe;
  • vontade de participar mais da vida dos filhos;
  • ausência de momentos a dois;
  • distanciamento da família por falta de tempo;
  • saúde comprometida pelo estresse, depressão ou ansiedade;
  • sonho de colocar em prática uma ideia na qual acredita.

O que faz parte da sua vida foi mencionado anteriormente?

Saiba que o conflito entre uma rotina estabelecida e a sensação de vazio nos leva a um quadro de tristeza e insatisfação conosco. O sentimento nos transmite a sensação de estarmos sempre incompletas, faltando um pedaço de nós para alcançarmos a realização dos nossos objetivos.

Em muitos casos, não sabemos traduzir o vazio que sentimos. Por isso, no começo deste tópico, afirmamos que nem sempre nós nos conhecemos verdadeiramente. Na prática, falta autoconhecimento — o ponto de partida que leva a todas as melhorias, inclusive o tão mencionado sucesso.

O autoconhecimento surge quando compreendemos as próprias necessidades, desejos, falhas, hábitos e tudo mais que nos move. Quanto mais você conhece sobre você, melhor tende a se adaptar às mudanças que supram o vazio que é sentido. Essencialmente, é preciso prestar atenção às suas emoções e no modo como você trabalha com elas.

A partir da percepção acerca das próprias emoções, torna-se possível entender os motivos que estão por trás das suas ações. Isso significa que, no âmbito do sucesso, você descobrirá se a sua vida pessoal e profissional são definitivamente guiadas pelas próprias necessidades ou a expectativa dos demais.

Mais que isso. Será possível entender se as suas escolhas atuais a tornam ou não feliz. Conhecer os próprios hábitos, por exemplo, possibilita que você faça uma avaliação com o intuito de melhorá-los. Em vez de ficar além do expediente todos os dias, por exemplo, não seria melhor impor limites no trabalho para ter tempo de ficar com os seus filhos ou marido?

A descoberta promovida pelo autoconhecimento abre um leque incontável de opções. Uma delas é a autorrealização. Esse conceito significa alcançar os seus desejos mais profundos, aqueles que nem sempre estão visíveis, e manifestar as suas maiores capacidades. É, através do seu esforço, seguir o próprio caminho e atingir o senso de propósito.

Lembre-se de algum (a) colega de profissão que decidiu dar uma guinada na carreira, que tenha trocado o sonho de consumo das pessoas por algo que foi questionado posteriormente — como abrir o próprio negócio mesmo com o país enfrentando uma crise econômica e política. Trata-se de um objetivo de vida, algo que representa os valores dela.

No fundo, se pararmos para refletir ainda mais, tudo o que nós queremos é expressar plenamente quem somos, sem o medo de sentir que estamos fracassando ou não somos boas o suficiente para aquilo que nos propusemos a fazer. Essa busca por um sentido na vida é a responsável pelas mudanças mais drásticas.

Então, se você segue todas as dicas para ser produtiva na carreira e adapta a sua rotina para não perder os compromissos, mas compromete muitos aspectos da vida pessoal, é melhor que você repense sobre o que é sucesso. Ser bem-sucedida pode ser comparada a “ganhar bem”, só que de uma maneira diferente da qual estamos habituadas a ver.

Primeiramente, o que é “ganhar bem”? Alguém que ganha um salário de R$ 20 mil por mês, sob as regras sociais, é bem-sucedido. Se essa mesma pessoa adquiriu um apartamento milionário, um carro caríssimo e tem um padrão de vida superior ao que ela recebe mensalmente, ela ainda ganha bem?

Outra pessoa, que recebe R$ 5 mil por mês, não tem dívidas, viaja todo ano, tem tempo para cuidar dos filhos ou planejar a própria família. Ela ganha bem? O parâmetro que estabelecemos aqui mostra que a quantidade de conquistas não significa absolutamente nada. O sucesso é apresentado por dois viés: a qualidade de vida e a capacidade de autorrealização.

Perceba, com os exemplos que mostramos, que nem tudo que parece ser é. Portanto, responda mais uma vez: você é bem-sucedida?

É você que define o seu sucesso

Quando observamos o comportamento humano, percebemos que as pessoas funcionam de acordo com certos padrões. Eles são adquiridos ao longo da vida, desde quando éramos crianças. Tratam-se das regras que nos orientam a decidir o que é verdade ou mentira sobre o mundo, impactando diretamente sobre os nossos hábitos.

O problema é que muitos dos padrões que nós seguimos não evoluíram, ainda se encontram presos ao passado — deixando de evoluir com a nossa compreensão acerca do mundo. Temas como educação, saúde, envelhecimento, nutrição, sexo e outros já não se fixam mais aos modelos antigos, diferentemente do que ocorre com o sucesso.

Ouse contrariar os padrões de uma pessoa ou instituição e verá saltar sobre você uma língua ferina que não poupará esforços para machucá-la através de um comentário depreciativo. Associando com a época da Inquisição, é capaz que você se veja envolta por uma fogueira de argumentos e críticas que visam desqualificar o seu ponto de vista.

As pessoas têm dificuldades em aceitar que cada qual tenha as suas próprias escolhas e seja como é. Elas se agarram e defendem o que consideram correto porque não confiam em si. Não sabem quem são e vivem agarradas às falsas crenças, preconceitos e ideias limitadas. Isso as mantêm na margem da verdadeira vida.

Saiba que essas pessoas que apenas criticam as escolhas alheias têm medo de perder as referências e afundar em um oceano de incertezas. Elas tratam os padrões como uma boia salvadora para garantirem sua sobrevivência. Por isso, atacam todos os outros que parecem ameaçar esse frágil elo.

Para defender os padrões e as crenças limitantes que têm, bem como controlar o incontrolável, as pessoas, por vezes, acabam nos ferindo. A necessidade de acreditar nas regras sociais deixa as pessoas com a certeza de que elas têm o direito de se impor, sem enxergar que o limite do próximo começa quando o próprio acaba.

O fato é que nós estamos aqui para expressarmos nossa singularidade. Nós temos necessidades diferentes, por isso, podemos ir além das crenças limitantes que nos são oferecidas ao nascer. Temos o direito de escolher o modo como desejamos viver nossas vidas, não cabendo a mais ninguém julgar ou determinar o que é certo ou errado, sucesso ou fracasso.

As falsas crenças limitam a beleza do viver. Lutamos tanto por liberdade, mas esquecemos de aprender a libertar. Sem esse conhecimento, continuaremos aprisionadas por uma rede invisível que nós mesmas lançamos ao nosso redor. Saiba que aprisionar o outro com nossos conceitos significa se prender.

Liberte-se das imposições da sociedade! É você que define o seu sucesso. Compreenda as raízes dos seus problemas e encontre a resposta para o porquê de você se sentir insegura com a vontade de mudar ou compreender o que fazer. Trabalhe a sua autoestima para fortalecê-la, pois, a maioria das inseguranças mora nela.

Qualquer mudança em nossa vida surge quando mudamos o nosso modo de pensar. Portanto, olhe mais para as suas necessidades e veja o que a vida tem a lhe oferecer. Deixe que os outros tenham as suas próprias opiniões, porém, direcione os seus esforços para o que lhe faz bem.

Avalie a sua vida e descubra como ser bem-sucedida

O momento é propício para que você faça uma avaliação da sua vida. Comece refletindo sobre tudo o que a cerca, desde as relações até o seu trabalho. Se precisar, pegue uma folha de papel e uma caneta para anotar cada um dos pontos e, ao lado, mencionar o seu nível de satisfação com eles.

Verifique quais das suas anotações apontam para o lado da insatisfação. Os seus esforços serão concentrados em mudá-las e, ao mesmo tempo, manter o que está dando certo. Separe esses pontos em que você não encontra plena satisfação para que possamos analisá-los, caso a caso.

Em vez de pensar com a mente coletiva da sociedade, esse é o momento ideal para você se livrar das amarras dela e colocar o seu ponto de vista. Olhe bem para cada um dos pontos levantados e pergunte-se o que mudaria para torná-los melhores. Quais são os seus desejos sobre eles? Como eles supririam as suas necessidades?

Anote as respostas para não esquecê-las, pois, você deverá colocá-las em prática para mudar a sua percepção acerca delas. Bem simples: ou você aceita as coisas como são ou vai se esforçar para adequá-las às suas necessidades. Para isso, será necessário tomar coragem e não baixar a cabeça diante do olhar inquisidor dos outros.

Para ser bem-sucedida, você deve criar os seus próprios parâmetros de sucesso, ou seja, mudar algo em sua vida. Saiba que toda mudança tem embutida em si uma perda, pois, é impossível estar no centro dos negócios e, ao mesmo tempo, em uma ilha paradisíaca onde se trabalha em uma espreguiçadeira em frente ao mar.

A mudança deve ser, de fato, acompanhada de atitudes condizentes. Não conseguimos emagrecer comendo um sanduíche altamente calórico e, para compensar, pedirmos refrigerante zero. Por isso, avalie os pontos que você levantou e as suas necessidades para entender quais serão as perdas que a mudança que você precisa trará. Sente confiança em si? Siga em frente!

Outro ponto importante nessa avaliação é saber que o melhor momento para decidir é aquele em que você decide mudar. Se o seu desejo é empreender, por exemplo, por que não fazer isso agora? Os outros dirão que você está louca, que o país enfrenta uma crise econômica e que isso é perda de tempo e dinheiro.

Ora, o país está sim enfrentando uma crise econômica, mas as pessoas não pararam de consumir! Em meio a esse cenário, os empresários que são criativos e oferecem soluções de acordo comas necessidades das pessoas são os que mais estão obtendo sucesso em seus empreendimentos. Se é o que você deseja, por que não seguir em frente?

A jornada da mudança rumo ao seu sucesso pessoal e profissional não é repleta de flores. As coisas podem funcionar de uma maneira diferente como a que você espera, alterando o plano e desviando o caminho de onde queremos chegar. Por isso, tenha consciência e aceite as curvas da estrada como parte do caminho. Deixe a vida fluir na direção certa, não esquecendo os seus desejos e necessidades.

Nesse contexto, o processo de mudança chega a ser mais importante do que mudar, pois, ele requer uma revisão dos nossos valores, regras e momento atual. É dessa forma que conseguimos olhar para o nosso interior, enxergando o quanto podemos crescer e atender nossas expectativas.

Pratique o amor-próprio para saber quais são as crenças limitantes que existem na sua vida, bem como o modo para se livrar delas. Somente o autoconhecimento fomenta a automotivação, que é a energia necessária para que você não desista diante dos próprios sonhos e muito menos se deixe abater perante as críticas destrutivas dos demais.

O resultado desse processo de avaliação será a autoconfiança necessária para mudar aquilo que deixará de fazer parte dos seus conceitos. Com base em suas necessidades, crie as próprias regras e estabeleça os seus parâmetros de sucesso. Se, na sua opinião, o sucesso estiver em um alto cargo de liderança, siga adiante e lute pelo seu espaço.

Da mesma forma, se o sucesso significar ter tempo para a sua família e empreender, busque os meios para torná-lo tangível. O sucesso não está na obra que nós construímos para os outros e sim para nós mesmas. Construa o seu lado com base naquilo que lhe faz feliz. Liberte-se das regras sociais que definem o que é sucesso e crie o seu próprio conceito.

Depois dessa reflexão sobre o que é sucesso, nós a convidamos para assinar nossa newsletter e receber em seu e-mail outros materiais importantes para essa jornada de mudança de percepções e conhecimento.

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