Se você conhece alguém que passou pela experiência da terapia de constelação familiar provavelmente escutou que era algo difícil de ser explicado, ou melhor, algo que precisa ser vivenciado para ser entendido. Bom, essa pessoa tinha razão!

Mas para não deixá-la sem entender o que é e para que serve a constelação, preparamos este post para contar um pouco mais sobre essa atividade terapêutica que vem transformando vidas. Continue a leitura e surpreenda-se!

Afinal, o que é a terapia de constelação familiar?

Criada pelo psicanalista alemão Bert Hellinger, a constelação familiar é um método terapêutico isento de crenças religiosas ou de qualquer experiências místicas ou sobrenatural. Seu embasamento é a teoria dos Campos Morfogenéticos, de Rupert Sheldrake, um biólogo britânico.

Bert desenvolveu as constelações familiares a partir de suas experiências com as relações humanas e, segundo ele, a constelação familiar traz uma abordagem diferente em relação ao desconhecido. Assim, ela não configura nem um método ou um ofício, mas sim um caminho para nos trazer a outros níveis de consciência, onde todas as perguntas encontram caminhos e respostas.

Dessa forma, a constelação familiar pode ser entendida como uma terapia dos estados profundos de consciência, que trabalha com nosso inconsciente profundo, de forma pessoal e coletiva, porém, sempre sob a ótica de nossas relações familiares, para compreender como elas nos moldam.

Ao nos colocar em contato com questões do inconsciente profundo, as constelações podem identificar pontos problemáticos que um processo psicodinâmico tradicional demandaria mais tempo para acessar.

Por isso é possível obter respostas mais rápidas, que podem ser resolvidas com mais facilidade, ou levadas a outras terapias que complementem a resolução dessas questões, como psicólogos ou coaches.

As leis da constelação familiar

Desde o nosso nascimento, formamos parte de uma família que gera um campo de energia em nosso interior e no qual evoluímos e crescemos. Independentemente de quem e como sejam as relações, somos parte e somos influenciadas.

Para solucionar nossos problemas por meio da constelação familiar, o constelador olha além do indivíduo, ou seja, além de nossas ligações ou conexões óbvias. Isso é feito pois, segundo Bert Hellinger, possuímos um “inconsciente familiar”, que atua de forma diferente em cada membro da família.

Nesse inconsciente, Hellinger acredita que existem três leis básicas que atuam simultaneamente: o pertencimento, a ordem e o equilíbrio.

Mas como elas interferem nas constelações? Entenda!

Lei do Pertencimento:

Temos a necessidade básica de pertencer à nossa família e esse vínculo é nosso desejo mais profundo.

Essa lei é desrespeitada em casos de exclusão, isto é, quando alguém é excluído de uma família por alguma razão, ou algum acontecimento é silenciado e tido como um tabu naquele grupo.

Quando isso acontece sem explicações, a sintonia de uma família é abalada e é preciso reconhecer essas pessoas ou fatos para restabelecê-la.

Lei da Ordem:

Você já ouviu alguém dizer que é responsável pelos pais, ou que os pais agem como se fossem os filhos?

Este é um exemplo de quebra na lei da ordem. Para que uma relação familiar tenha boa fluidez, é preciso entender e respeitar a hierarquia das gerações, respeitando a ordem dos que vieram antes.

Lei do Equilíbrio:

Para Hellinger, o equilíbrio entre o crédito e o débito é fundamental para estabelecer relações saudáveis. Para isso, devemos equilibrar a dose entre o que se dá e o que se recebe para estabelecer a paz nos relacionamentos.

Para que serve essa terapia?

O principal objetivo da constelação familiar é trazer a consciência às influências que temos em nossas relações familiares. Nessa terapia, é possível descobrir problemas, hábitos e interferências em nossas vidas de até sete gerações anteriores, que atuam em níveis que nem sequer imaginamos.

Por exemplo, por trás de um insucesso profissional, pode haver uma relação familiar conturbada que nosso consciente é incapaz de identificar. Ou talvez algum hábito que nos prejudique, mas que repetimos ao longo dos anos porque fomos ensinadas assim.

Uma breve ilustração disso é a metáfora de que um casal, onde os dois fazem uma mesma coisa de maneiras distintas, como preparar uma receita. A explicação é de que foram ensinados assim pelos pais, que por sua vez, foram ensinadas assim por seus. E no final, a moral da história é que não há certo nem errado na maneira em que cada um cozinha, mas sim, hábitos que são replicados de geração para geração sem qualquer razão específica.

Como funciona a dinâmica?

Somos formados por corpo físico, mental, espiritual e emocional e, diferentemente de uma terapia tradicional ou o coaching, que trabalham níveis mentais e quase sempre conscientes, as constelações familiares podem ajudar em níveis espirituais ou emocionais.

Contudo, nenhuma ferramenta é melhor que a outra: cada uma tem seu lugar, seu objetivo e juntas, podem ser complementares para um tratamento eficaz de nossos problemas.

Apesar do nome, as constelações não são feitas necessariamente com família da pessoa que decide participar. Quando feita em grupo, os participantes não se conhecem e não possuem nenhuma relação entre si.

As sessões também podem ser feitas individualmente, e você pode escolher constelar qualquer coisa, como sua relação com o dinheiro, com sua mãe, com o trabalho ou até com alguma doença. Contudo, qualquer questão escolhida será constelada sobre a ótica das relações familiares.

Hora de constelar!

As constelações em grupo trazem muito da dramatização do teatro. Pessoas desconhecidas representam personagens familiares como o pai, a mãe, representam profissões ou fatores como o dinheiro ou sintomas e doenças da pessoa constelada, por exemplo.

Os representantes são colocados no campo e expressam o que eles sentem através da questão colocada pelo cliente.

As informações familiares do cliente são acessadas por meio de sensações corporais que fazem os representantes se moverem e expressarem suas sensações por meio de movimentos, expressões corporais e faciais.

O cliente deve se basear na observação desses movimentos, buscando assimilá-los sob a ótica da questão constelada. Assim, a constelação o ajuda a trazer uma nova consciência sobre o que pode ser trabalhado.

Por isso, ela não atua como uma terapia e sim como uma luz sobre o que está acontecendo, e sobre o que você precisa agir para solucionar seus problemas.

Quem deve procurar uma constelação familiar?

Todas temos problemas ou passamos por situações difíceis. Entretanto, reconhecê-los e sair em busca da solução só depende de nós! Quando saímos de nosso lugar de vítima e assumimos nossas responsabilidades, o processo de entendimento e cura é muito mais efetivo.

A constelação familiar é uma ferramenta para o desenvolvimento humano e para que ela funcione, é preciso compreender que você está fazendo isso para o seu autoconhecimento e crescimento. Ou seja, é preciso acreditar e estar aberta ao processo.

Quando você se coloca em uma posição de resolver problemas ou questões familiares muito emaranhadas, todas as pessoas que vieram antes ou que vêm depois de você se beneficiam com as mudanças.

Quais são os benefícios gerados por essa terapia?

As constelações familiares têm ganhado muita força no campo das terapias emocionais. Em uma única sessão é possível obter resultados claros e resolver questões que muitas vezes atormentavam alguém há anos, mas não podiam ser percebidas pelo consciente.

Dentre alguns dos benefícios que podemos listar estão:

  • a clareza para enxergar as coisas desde outra perspectiva, como se você fosse tirada do olho do furacão e pudesse ver os problemas de fora.
  • alívio emocional, por saber melhor por onde começar a resolver os problemas identificados;
  • resolução de conflitos dentro da família. Como mencionamos, é possível restabelecer as leis familiares, entrando novamente em sintonia com a família.

Apesar do nome, ela não depende de um problema familiar. Existem constelações do mundo profissional, feitas para empresas, de forma que os problemas serão constelados como se aquele grupo corporativo fosse a própria família.

Muitos profissionais também têm apostado nessa terapia em outros campos, como a resolução de problemas no meio jurídico, por exemplo, em casos que chegam na vara de família.

Ainda que existam outras terapias e métodos terapêuticos, as constelações familiares permitem desenterrar emoções e fatos que nem sequer sabemos que existem. Assim, através dela, é possível abrir caminhos para novas atitudes ou terapias complementares.

E aí, gostou deste conteúdo? Agora que você já sabe um pouco mais sobre as constelações familiares, que tal nos seguir nas redes sociais para não perder nenhum conteúdo como este? Até a próxima!

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